A Oitava Oficina
No dia 04 de novembro foi realiza a oitava oficina do Gestar II referente Unidade 23: O processo de produção textual: revisão e edição e a Unidade 24: Literatura para Adolescentes.
Iniciamos a oficina e as cursistas já relataram as dificuldades que estão tendo para aplicar os Avançando na Prática uma vez que para concluir em dezembro deste ano estou realizando os encontros semanalmente. Após entreguei a síntese das unidades 23 e 24 para discutirmos:
Unidade 23: O processo de produção textual: revisão e edição
· A revisão é uma das etapas da produção que requer mais esforço para ser aprendida e utilizada. O ensino e a aprendizagem do processo de revisão requerem uma prática de estratégias de releitura, reflexão e do afastamento do escritor de seu próprio texto.
· Um texto é construído em processo. Este, geralmente, é iniciado por uma preparação que inclui atividades de pesquisa de materiais e conteúdos sobre o tema e de leitura, compreensão e de interpretação de textos que subsidiam as etapas de planejamento e escrita.
Questões para revisão
1- O texto cumpre seu objetivo?
2- Consciência da audiência;
3- Relevância do conteúdo;
4- Sequenciação da informação;
5- Nível de formalidade;
6- Função da comunicação;
7- Convenção ( formato do documento);
A revisão é desencadeada por comparação entre o que se tem como objetivo e texto planejado que está sendo produzido.
Nas atividades de revisão, você pode verificar elementos referentes à estrutura do texto, do gênero, à seqüência de idéias, além de corrigir ortografia, pontuação e outros elementos locais de coesão.
Ao salientar algum desses pontos soltos no texto do aluno, os comentários de professores produzem um monólogo, pois caracteristicamente apontam erros e ambigüidades, mas muito raramente oferecem sugestões práticas para que o aluno entenda o ponto de vista do revisor e proceda a uma revisão eficaz de seu texto.
Comentários muito gerais não possibilitam uma reflexão sobre a relação entre o seu texto e os elementos que compõem a situação sócio-comunicativa. A avaliação processual objetiva analisar o que os alunos têm a contar, suas opiniões que estejam defendendo, informações que podem dar.
O autor tem que aprender a dialogar com o próprio texto, internalizar, modelar de forma variada as questões que possam surgir a partir da leitura de seu texto, aprendendo a antecipar questões e tentando resolve-las para que seu texto não cause problemas de compreensão.
Uma forma interessante de desenvolver atividades de revisão e edição é contando com a leitura feita por colegas, seja individual ou coletivamente.
Estratégias de revisão
· Um texto pode ter problemas de coerência e coesão. Portanto, uma atividade recomendada é fazer brincadeiras com textos acessíveis em que falte um pedaço dê a sensação que “há algo faltando” ou que “ há algo esquisito”.
· Ensine seus alunos a deixarem alguns problemas para serem retomados numa segunda leitura do texto, como dificuldades em encontrar um termo mais adequado.
· Sugira que marquem o local em que falta um termo ou escrevam um sinônimo e depois resolvam o problema indo ao dicionário.
· Assim como nas etapas de planejamento e escrita, a revisão e edição têm que ter um limite, principalmente na escola (na vida profissional nos delongamos mais), pois se corre o risco de desmotivar o aluno. A idéia é que o professor aja com tranqüilidade, adicionando numa mesma aula uma ou outra sugestão. A sobrecarga de informações pode tornar ineficaz o trabalho com o processo, assim como a longa duração da produção de um mesmo texto.
· A questão colocada, então, para se começar a trabalhar em sala de aula, é fazer que o aluno consiga identificar problemas no seu texto, organizando o ensino e o aprendizado a partir dos conhecimentos que já construiu.
· Como vimos, revisar e editar implicam comparar, identificar, anotar, apagar, inserir, criar espaço, copiar trechos e mesmo o texto todo, se não houver computadores à disposição.
· A prática individual pode ser alternada por práticas de escrita em grupo, como as propagandas, ou mesmo coletivas, de todos com o professor. Uma idéia interessante é produzir uma caixa com tiras contendo marcadores de tempo e espaço e produzir um texto coletivo em que alguns venham para frente e retirem um dos marcadores, enunciem para o grupo e o próximo a continuar a história tenha que inserir o marcador em sua frase ou período. O professor transcreve o texto que esteja sendo ditado no quadro e, ao final da tarefa, divide os alunos em grupo para que trabalhem aspectos de coesão e coerência . Em seguida, os grupos podem apresentar seus textos oralmente, ou pendurá-los no varal de textos ou, ainda, colocá-los numa caixa do professor, para textos já editados, esperando o retorno do professor para uma nova discussão e diálogo.
· As listas devem mudar à medida que as crianças também se modificam e, uma vez que existe uma imensa variedade de capacidades dentro de uma sala de aula, faz sentido confeccionar se vários tipos diferentes de listas de verificação, cada uma representando diferentes níveis de sofisticação.
· Alguns professores sugerem que os alunos comecem a ler o texto a partir de seu final, de modo que possam ver as palavras fora do contexto e os erros óbvios.
· [ ..] O ponto mais importante na minha opinião é fazer com que as crianças percebam que a edição envolve mais do que a correção de erros. Este é um ato criativo, um período de encurtar e ligar, para tornar a linguagem mais “ enxuta”, para colocar em ordem os pensamentos e para escutar a poesia e o ritmo das sentenças que se escreve.
Unidade 24: Literatura para Adolescentes
Problemas de leitura
1- Nossos alunos, quando muito, lêem de modo superficial, “Lêem a linha”, mais fácil de ser aprendida numa leitura rápida.
2- A dificuldade com relação à leitura autônoma, mesmo de significados superficiais e evidentes, leva a pouca criticidade, à ausência de extrapolações ou inferências menos óbvias ( não lêem as entrelinhas,ou o por trás das linhas).
3- Nossos alunos lêem pouco também do exigido pela escola, e em geral essa leitura “ não escolar” elege poucas vezes o livro.Privilegiam o texto curto, em revistas ou jornal, o que parece contribuir decisivamente para a leitura rasa, percebida nas pesquisas.
A família é fator importantíssimo na formação de todos os valores dos filhos, e o gosto pela leitura é um desses valores.
É preciso que o professor viva este discurso, e que a literatura seja uma presença constante no seu cotidiano . E isso só ocorre quando o professor lê literatura e sabe ler verdadeiramente literatura.
Seus problemas de leitura insuficiente estão ligados também a uma leitura insuficiente do professor e de práticas pouco produtivas da escola, em torno de ato ler.
Numa revisão de posturas, o professor precisaria insistir em leituras mais longas, completas, e dar um espaço privilegiado para o livro de leitura.
Em outras palavras: a imposição é um bom caminho para se pensar a leitura como valor?No campo de criação de valores, sabemos que, ao longo da vida, nos aproximamos das experiências que dão prazer e repelimos as que geram desprazer e desconforto.
A prática de exigir de toda a turma a leitura de uma mesma obra é, também, um engano.
Certos professores dizem que todos os alunos precisam ler aquele tal livro, porque ele é fundamental o estudo da literatura, ou argumento parecido.
Jogar a literatura para o campo instrucional pode tirar dela o poder de fantasia e do jogo, que alimentam outra parte importante de nossa vida.
Ao propor uma leitura literária é fundamental que o literário seja o prioritário, e que o informativo emerja da construção artística, e não o contrário.
As cursistas gostaram do material sobre a produção: revisão e edição, pois no desenvolvimento de suas aulas, elas relatam que os alunos empolgam-se com as atividades de produção propostas, mas no momento de produzir efetivamente os textos, os alunos apresentam muitas dificuldades. Assim sendo as atividades de revisão e edição propostas pelo TP, auxiliarão os alunos na superação de suas dificuldades de produção, pois permitem que o aluno tenha um novo olhar sobre sua produção. Em relação às questões de leitura, o grupo percebeu o quanto a motivação do professor é essencial para o desenvolvimento do gosto pela leitura. Dando continuidade, os professores compartilharam experiências que deram certo com o trabalho de leitura. Fiquei feliz, pois a maior parte do grupo acredita que o trabalho com a leitura está ligado ao prazer, ao envolvimento. Ler também é uma tarefa que exige, mas no momento que o aluno é cativado fica mais fácil. Para encerrar a oficina, realizamos um exercício de produção e revisão, no qual as cursistas puderam por em prática os aspectos teóricos propostos no TP.